<$BlogRSDURL$>

Wednesday, May 05, 2004

Dissertação sobre o Amor - Parte II 

1- Nascimento: O começar de algo grande
Na vida há momentos em que sentimos algo dentro de nós a mudar. O melhor exemplo disso é, sem dúvida, o começo de um grande amor. Contudo, não surge sempre do mesmo modo, daí o facto de se poder fazer confusão entre amor, paixão e mesmo uma simples paixoneta sazonal (nomeadamente no princípio da Primavera ou durante o Verão). “São as hormonas” dizem os peritos, mas o facto é que estas alturas são, sem dúvida, propícias para o princípio de paixões e, quem sabe, grandes amores. Será pelo aumento da temperatura? Será por outra coisa? Não tem importância. O que há de relevante é que acontece por todo o Mundo, e no fim das férias grande parte das conversas em cada esquina, num restaurante, num bar, entre amigos, talvez familiares têm todas o mesmo tema: - “O meu grande amor deste Verão”. Normalmente são histórias que nos chamam toda a atenção, são “engraçadas”, fáceis de ouvir e, talvez por isso, despertam-nos grande curiosidade. Quem não gosta de ouvir a história de um amor de Verão pelo qual um nosso amigo/a familiar passou nos meses anteriores? Todos nós temos histórias destas, umas mais recentes do que outras, umas com melhores fins do que outras, mas são sempre histórias que despertam grande curiosidade por entre os mais próximos. Para uma história destas Ter sucesso tem uma “receita” fundamental: Emoção, um local de férias (a praia será talvez o mais comum), um fim de tarde, o primeiro beijo e talvez o ingrediente mais dramático de todos: a despedida, normalmente com algumas lágrimas. Tal como já disse os fins não são todos iguais, mas temos que admitir que uma história com estes ingredientes desperta muito interesse, especialmente quando se passa com amigos nossos. Mas será que estas histórias se passam apenas nestas alturas? Os outros 9 meses do ano servirão para quê? Não se poderão despertar grandes amores nestas alturas? A cada dia, o ser humano rege-se não só pelas regras como também pelo instinto e pelas emoções, o que torna também possível este tipo de história. Será o desenrolar semelhante ao anterior? Definitivamente não! Neste tipo de situações o tempo é muito maior tal como o sofrimento. E na maior parte das vezes também o sentimento é mais real e intenso. Foi o que aconteceu comigo. Surgiu neste período de nove meses, tem muito sofrimento, sentimento e sem dúvida nenhuma que é muito mais real do que um simples “caso” de Verão. Durante o Verão surge por impulso, “devido às hormonas”, como dirão os supostamente entendidos na matéria. Mas como se procederá durante os outros meses? Como será o seu nascimento, o seu crescimento, o seu culminar? Poderá não ser sempre do mesmo modo, mas comigo passou-se mais ou menos assim....

....ao contrário do que se sucede no Verão, onde tudo acontece num curto período de tempo, nestes meses tudo se passa gradualmente, as diversas fases sucedem-se naturalmente umas às outras. Destaquemos as três fases mais importantes: Atracção, Paixão e Amor. Como todos poderemos confirmar é muito mais fácil sentirmo-nos atraídos por uma pessoa do que nos apaixonarmos por ela, como também é muito mais fácil apaixonarmo-nos por uma pessoa do que podermos afirmar que a amamos, ou seja, à medida que as fases se passam menos casos vão havendo. Portanto vamos por partes. A primeira coisa que aconteceu foi a atracção. Existem dois tipos de atracção: física e psicológica, sendo que a física assume um papel muito mais importante do que a psicológica. Por muito que neguemos que não damos importância ao aspecto de uma pessoa, que o interior é que conta, tudo isto não passa de uma falsa questão. Por exemplo, quando vemos pela primeira vez uma pessoa na rua, como será que a analisamos? Fisicamente, claro! O chamado “olho clínico” entra em acção e, por muito que queiramos negar, salvo em raríssimas excepções, a primeira impressão que temos de uma pessoa tem em conta o aspecto físico. E, se existir atracção, aqui assim poderemos partir para o conhecimento interior, psicológico da pessoa em questão. E se o psicológico corresponder ao físico tratar-se-à então de atracção total e, a partir daqui poderá eventualmente acontecer algo mais (como foi o caso).
Mas como se poderá passar de atracção para paixão? Difere dos casos, mas na sua maior parte provém de um conhecimento não muito aprofundado da pessoa em questão que resulta de uma quantidade razoável de momentos passados (bem!) com a pessoa em questão. Assim sendo, encaramos cada momento passado como um momento feliz, que será pelo menos encarado por nós como um momento muito bem passado e temos uma grande vontade de repetir momentos como este. E é nesta repetição que poderá surgir o amor. Neste caso, será requisitado um conhecimento interior mais aprofundado da pessoa. A maior dificuldade de afirmar que a amamos provém de o facto de não sabermos com exactidão se a conhecemos tão bem como pensamos e, no meu caso, é sem dúvida a maior dificuldade. Será que amo mesmo ou não passo de mais um que caiu na banalidade de se dizer que se ama uma pessoa sem minimamente parar um pouco para pensar e descobrir o verdadeiro significado da palavra amar? Terá que ser uma descoberta que terei que fazer por mim próprio nem que seja para me poder esclarecer o que se passa comigo. Será amor ou uma paixão muito intensa? Seja o que for não tenho dúvidas que apesar do muito sofrimento valerá sempre a pena e, neste caso, mais do que nunca!


2-Afirmação e Declaração: Adiar o inadiável

Foi numa daquelas manhãs em que acordamos e sentimo-nos cheios de força e energia, imponentes, com a certeza que toda essa disposição irá levar a um acontecimento relevante durante o dia. Poucos são os dias em que acordamos assim. Contudo, podemos pensar que ainda a o mês passado, ou a semana passada, o fim-de-semana passado, ontem ou mesmo que hoje acordámos assim. Admito que seja difícil distinguir um dia feliz de um dia marcante. Mas não nos podemos esquecer de que um dia marcante não é necessariamente um dia feliz e que, muitas vezes, especialmente quando associado ao amor, este dia não passa do ponto de partida de um círculo longo e doloroso em que toda a razão perde a razão dedicando-se apenas ao coração e aos seus sentimentos. Então, quando podemos Ter a certeza que esse dia é mesmo marcante. Poderão surgir sinais no próprio dia, mas só mais tarde, muito mais tarde mesmo poderemos afirmar que esse dia foi mesmo marcante, pois ainda hoje recordamos esse dia como se tivesse sido ontem. Pelo menos foi o que aconteceu comigo. Num Mundo com milhões e milhões de pessoas este dia, Sexta-feira, poderá não Ter passado de um simples dia, em que de cinco em cinco minutos olhamos para o relógio à espera do fim-de-semana para cerca de 99,9% da população mundial, mas para mim e talvez para mais uma ou outra pessoa esse dia será para sempre lembrado. É daqueles dias que poderemos perfeitamente afirmar que “foi o primeiro dia do resto da minha vida”. E é perfeitamente real; este dia tem um significado tão grande, a partir dele podemos dizer que entrámos numa realidade diferente, num mundo completamente novo. E porquê? Porquê tudo isto? Tudo porque nesse manhã acordamos com uma disposição especial e prontos a mudar o rumo da nossa vida.
No entanto, os dias que se seguem são normalmente encarados como um pesadelo. Todo aquele dia ainda está bem presente na nossa memória e não conseguimos deixar de pensar nele. Sentimos arrependimento, desilusão, amargura, algum alívio e uma imensa vontade de sair pela rua e gritar o mais alto possível. Todo esta vontade resulta da libertação de tensão que se foi acumulando que precisa agora de ser soltada para o alívio ser maior! Na maioria das vezes damos um sentido negativo aquele dia. Arrependemo-nos pois não devíamos Ter feito o que fizemos, dito o que dissemos, mas compreendemos perfeitamente que apenas foi feito o que se tinha a fazer. Depois começamos a pensar que está feito, está feito mas não haveria um modo melhor de fazer as coisas, de dizer as coisas. Não seria melhor fazer deste modo em vez daquele que utilizámos. E isto arrasa-nos completamente. Mas resumindo, o sentimento que mais nos assola é mesmo a satisfação. Satisfação porque sabemos que mais dia, menos dia aquilo teria que ser feito e o facto de já Ter sido feito tira-nos um peso enorme de cima dos ombros. Sentimo-nos mais leves, mais soltos, mais felizes mais completos (embora por pouco tempo).


3. Negação e sofrimento
E é neste momento que passamos a uma outra fase: a da negação e sofrimento! Normalmente poderá surgir num período de tempo em que nos afastamos da pessoa em questão, durante o Verão, por exemplo! Esta separação é extremamente penosa e ficamos absolutamente apáticos! Não conseguimos fazer nada, não conseguimos pensar em nada, vivemos num clima de desilusão, desalento e principalmente sofrimento! Ficamos assim durante dias, semanas e mesmo meses! Nunca mais tivemos notícias da pessoa que para nós mais interessa. É como se já apenas existisse na nossa consciência, já que se parece Ter perdido nos confins dos sentimentos do nosso coração. E é precisamente aqui que começamos a pensar que nos precipitámos ao pensar que estávamos apaixonados, que amávamos essa pessoa. Arriscámos, tentámos.....mas perdemos e agora nada mais há a fazer. Esta é então a fase da negação! Não! Não sinto nada por ela era perfeitamente capaz de viver sem ela! E é exactamente isso que sentimos, já conseguimos passar um dia e, quem sabe mais, sem pensar nela! Sabemos que mais cedo ou mais tarde nos iremos encontrar com ela mas nessa altura, todo aquele sentimento forte já terá passado e ela já não passa de uma simples pessoa com quem convivemos no nosso dia-a-dia. No entanto, o primeiro dia, o primeiro encontro não deixa de ser constrangedor. A primeira vez que a vimos sentimos um aperto, de um momento para o outro parece que o nosso coração apertou e relembramo-nos de todos os bons momentos e o sofrimento passados por sua causa. É uma altura extremamente delicada e não sabemos o que havemos de fazer! Falar ou não falar? Mas terei de arranjar alguma coisa para falar? Haverá algum motivo especial para falar? Haverá uma altura indicada para ir falar? Tudo isto nos leva a pensar que o ano não acaba naquele dia e que haveremos de acabar por falar nos próximos dias! E assim acontece! Mas, mais tarde, começamo-nos a aperceber que tomámos a decisão errada! Deveríamos ir falar nem que fosse para dizer um simples olá e perguntar se está tudo bem. E aquele momento que, no preciso momento pareceu não Ter muita importância acaba por nos atormentar não só por nos termos arrependido de não Ter feito nada como também por esse momento Ter sido chamado à atenção pela própria pessoa! É aqui que ficamos absolutamente desolados! Mas continuamos com a nossa vida, começamos a falar com essa pessoa, a passar mais tempo com ela, e cada vez mais parece-nos termos a certeza de que todo aquele período em que nos sentíamos completamente apaixonados estaria ultrapassado! E, é nesse momento que acontece algo que vai mudar o nosso rumo novamente....um simples sorriso, uma troca de palavras, de olhares que não passam de simples vulgaridades tornam-se para nós como importantíssimos e tem para nós um efeito de “reminiscência”. Tudo aquilo pelo qual havíamos lutado para conquistar (na primeira fase) ou para esquecer (na segunda) acontece novamente! E tudo, simplesmente tudo, mudará a partir de agora, algo de novo, ou nem tanto, irá acontecer...

4. Amor perdido ou novo amor platónico?

Tudo aquilo que havíamos sentido nas primeiras fases não só reaparece como aparece de uma forma ainda mais intensa! E aí apercebemo-nos que não foi da Primavera, não foi das hormonas estarem aos pulos, não foi do calor, foi um sentimento que apareceu e, por sinal, veio para ficar e parece que nos irá acompanhar por um período longo! Mas o que fazer nesta altura? Será que esta reaparecimento deverá ser guardado para nós ou deveremos contar à pessoa tal como na primeira vez! Mas pior, como será a sua reacção se contarmos? A alguém que sempre duvidou da vericidade do nosso sentimento por ela? Se bem que numa primeira fase tenhamos percebido a reacção, como será agora quando nós tivermos plenamente convictos do nosso sentimento! Será que essa pessoa irá também compreender finalmente que o nosso sentimento é o mais sincero e verdadeiro possível ou irá adoptar a mesma postura até então? É em momentos como estes que queremos mostrar a todo o custo que é mesmo verdadeiro e por vezes, caímos no erro de cair numa fase em que nos tornamos “ennuyents”, maçadores por querermos mostrar apenas aquilo. Mas temos que evitar o mais possível cair nesse erro, porque apesar de o amor não ser correspondido terá que se salvaguardar uma amizade que cada vez mais desejamos ser forte e consistente. Surge-nos então a dúvida: como classificar o nosso amor? Amor perdido ou amor platónico? Sabendo de antemão que nada mais podemos esperar por parte dela a não ser a amizade, resta-nos apenas distinguir amor perdido de amor platónico. E eu, neste caso, pareço não Ter muitas dúvidas! Amor perdido não é de certeza, pois se o fosse já o teria perdido durante o tempo em que essa pessoa esteve ausente. Seria daqueles amores de momento que por mais forte possam parecer se não forem correspondidos, cedo desaparece e partimos para outra! E é precisamente por isto que eu sei perfeitamente que é amor platónico, apesar de não gostar muito da conotação de platónico. Mas é-o porque resistiu a todas as adversidades, à ausência, à distância a discussões, a críticas! Por mais que essa pessoa nos magoe nós continuamos a sentir exactamente o mesmo! Custa-nos muito mas nesse caso, rapidamente esquecemos isso e na nossa recordação estão apenas aqueles momentos marcantes, como uma simples conversa, um beijo, uma troca de olhares, um sorriso! E, apesar de sabermos que não será correspondido sentimo-nos bem connosco mesmos porque sabemos que fizemos o que estava certo e simplesmente não poderia acontecer! E não vale a pena correr para um objectivo, pois se ele não estiver destinado a acontecer simplesmente não irá acontecer! Continuamos a conviver com essa pessoa, mas dentro do nosso coração e lá bem dentro dos nossos pensamentos está a palavra “Amo-te” a querer explodir.
Comigo passou-se assim e com os outros não acontecerá de maneira muito diferente, porque o que tem de ser tem muita força e eu sentir isto tem ainda mais força!

|

Dissertação sobre o Amor - Parte I 

O amor transforma-nos! É indesmentível! Quando estamos apaixonados somos uma pessoa quase transformada totalmente! Muitos dizem que o amor é uma vida da própria vida mas também não estará errado dizer que a vida é que é uma vida dentro do nosso amor! Nós reflectimos a imagem do nosso amor! Quando estamos apaixonados tudo nos parece diferente. O céu é mais azul, a música soa melhor, o tempo passa da melhor maneira, as pessoas são mais simpáticas – sentimo-nos felizes, realizados! Olhamos para tudo com mais atenção, com mais carinho, mais curiosidade, sorrimos com mais felicidade enfim, tudo nos parece mais feliz! Todos nós já o sentimos, todos nós o podemos confirmar! E tudo atinge o seu êxtase quando dentro do nosso quotidiano entra aquela que amamos! Aí assim, é um momento de extrema e pura felicidade! E por muito que um dia esteja a correr mal, cansativo, cheio de trabalho uma simples conversa, uma troca de “olá´s”, um sorriso torna aquele dia memorável! A partir daí tudo nos parece mais fácil. Essa pessoa torna-se o verdadeiro sol, o verdadeiro coração da nossa vida! Dependendo das atitudes dela, dos momentos passados connosco reflecte-se no nosso dia! E se isso acontecer, ao fim do dia, quando fazemos uma pequena reflexão do nosso dia e encontramos momentos, por mais curtos que tenham sido, sentimos que valeu a pena termos acordado nesse dia de manhã, esse dia tem significado! Enfim, essa pessoa, a quem nós damos tanta importância “manda” em nós, controla a nossa auto-estima! Todos nós temos uma ideia de nós próprios mas indubitavelmente “o nosso amor” completa-nos! Se esse dia nos corre bem, ao fim da noite se nos olharmos ao espelho sentimo-nos felizes, com um sorriso de orelha a orelha recordando esse dia – sentimo-nos mais bonitos! No entanto, se esse dia não tiver corrido de feição, se tiver havido uma pequena discussão, uma troca de palavras mais azedas tudo se parece desmoronar perante nós! Ao espelho, tudo nos parece diferente, começamos a reparar nos defeitos que temos e mesmo a inventar defeitos! Somos uma pessoa sem alegria! Amar alguém é sempre importante mesmo que não sejamos correspondidos e quando amamos alguém e somos correspondidos tudo é ainda melhor! Sentimo-nos perfeitos, sentimo-nos com vontade de acordar todas as manhãs sabendo quem vamos encontrar durante o dia – temos motivação, e isso é importante! E mesmo que não seja correspondido é muito importante que a amizade seja saudável sem a existência de barreiras apenas por um amar o outro! E se isso acontecer podemo-nos dar por contentes! Mas nunca nos podemos esquecer que apesar dessa amizade ou de uma distância que poderá acontecer um período ou outro que não nos permite conviver regularmente não significa que o amor deixou de existir! Pelo contrário, ele está apenas adormecido, e quando o contacto for reatado tudo será ainda mais intenso, mais forte, com mais vontade! E isto sim, é bonito no amor! Sabermos que existe alguém que tanta importância exerce sobre nós! Resta-nos esforçar para que essa importância seja recompensada e que quem sabe, um dia, amor nasça do outro lado também!
Enfim, transforma-me como transformará igualmente todos ou outros que também amam, uns com mais sorte que outros mas todos iguais numa coisa! Amam, podem não ser amados mas são felizes com quem amam, dado que essa pessoa passa a ser a pessoa mais importante nessa “vida” que é o amor que não passa doutra “vida” que é a própria vida!

|

Dissertação sobre a Reacção Sentimental 

Deixa! Não vale a pena pensares mais nisso. Quanto mais valor lhe deres, mais isso te afectará. Não és propriamente inexperiente. Já passaste por situações semelhantes, com sentimentos iguais, com pessoas que nessa altura tinham um significado que, por muito que quisesses, não lhes conseguias dizer todo o seu valor. O crescendo de importância que têm tido na tua vida, a forma como um sorriso seu, uma troca de olhares, um gesto insignificante é para ti um autêntico deleite e um momento que guardarás para sempre na tua memória. Mas tu já conheces esse caminho, esse ciclo. Sabes que não conseguirás ter um único momento de paz e alegria total. Há sempre um pequeno pormenor que te estraga o plano, um pequeno detalhe que deita tudo o que tinhas conseguido, ou planeavas conseguir por terra. Que fazer? Como reagir? Já conheces a situação. A tua ingenuidade já não consegue atrapalhar o teu raciocínio e os princípios da razão. Conheces o ciclo. Vives eternamente num abismo, no qual alguém teve a crueldade de te atirar. Habituas-te e esqueces-te que lá estás, pensando que tens tudo o que é preciso reter da vida, mas não. Não pode ficar assim. Alguém te chama à realidade. Um anjo, uma pessoa que tem o condão de te acordar do deserto em que estás, que te dá uma mão amiga que te ajuda a subir desse abismo para que possas saborear, nem que seja por um pequeno instante a luz da vida, a felicidade, a liberdade, tudo aquilo com que tens sonhaste, mas que o abismo te tinha conseguido esquecer e alterar o seu significado. Mas é essa mesma pessoa que te ajudou a sair do abismo, pela qual crias um carinho e um amor tal, que te empurra de novo para o fosso breves momentos após teres saboreado a liberdade da vida. É exactamente este o ciclo. Vives “feliz” no abismo numa ignorância que não te permite saber o que há para além dele, ajudam-te a subir e “acordas” para a vida, mas de seguida empurram-te de novo para o abismo. A única (e tão grande) diferença é que não vives já baseado na ignorância, pois viveste a liberdade há bem pouco tempo e tudo isso está bem guardado na tua memória. A partir daqui começas a fazer tudo, mas mesmo tudo para conquistares a pessoa que te puxou do abismo, sendo que quando a conseguires conquistar ela trar-te-á de novo para a vida e viverás livre e apaixonado, como sempre desejaste viver. Junto da pessoa que amas, da pessoa a quem estarás eternamente grato. Mas para isso há que conquistá-la. E como o poderás fazer sabendo que já foi conquistada e tudo te parece difícil. Não tens um único ponto a favor, nada te faz ter vantagem sobre essa pessoa a não ser a tua enorme força de vontade. Se queres realmente uma coisa, luta para a conseguir. Agora não caias no erro habitual de quem é inexperiente. Aprende a viver com a derrota, com a incapacidade de a conseguires conquistar após uma ou outra tentativa que tenhas feito sem sequer pensar bem nisso. Vive com a incapacidade, tenta levar uma vida normal, não fiques obcecado com isso. Não transmitas uma figura de quem quer alcançar algo a todo o custo, mas não deixes de fazer esforços para isso. Tenta fortalecer os pontos fracos e consolidar eventuais pontos fortes que possas ter. Tenta viver com ela, sem que isso implique viver por ou para ela. Não é ela que te faz viver a vida, nem tão pouco ela que te sentenciará a morte. Se conseguires obedecer a tudo isto verás que será o rumo natural das coisas que decidirá sobre a tua situação. Se te aproximares da pessoa podes vir a ter alguma coisa, caso contrário não te recrimines por isso. O que tem de ser, tem de ser e isso tem muita força. Antes disso vivias calmamente, sem grandes sobressaltos, planeando e prevendo qualquer transformação que pudesse vir a acontecer. Gostavas de manter todo o tipo de mudanças sob o teu controle. Sabias exactamente o que fazer caso isto ou aquilo acontecesse. Tinhas tudo planeado e, se seguisses à risca o que tinhas pensado, nada te poderia correr mal.



Tudo isto é muito bonito de pensar e de se ler, mas é praticamente impossível ter esta postura quando se trata de amor. Planeamos tudo, todo o tipo de situações, mas o amor não obedece a qualquer tipo de regra, altura ou previsão. Surge da maneira mais inesperada, muitas vezes de um sítio onde nem sequer teríamos imaginado que poderia haver alguma coisa. Passámos um ano inteiro numa busca intensa para que nada nos surpreendesse, e quando já tinhas dado a busca por terminada, eis que surge algo de novo a pouquíssimo tempo do fim. Algo completamente inesperado. Algo que nunca terias pensado poder acontecer, pelo menos não naquele local, num momento como aqueles. Um único sorriso, mesmo que sem significado, um olhar inocente, um piscar de olhos malandro, uma troca de palavras mais acalorada, um pouco mais de tudo sobre nada faz derreter todo o tipo de protecções que tinhas construído ao longo de tanto tempo. Mas duvidas. Como será possível em tão pouco tempo, numa altura como esta, alguém conseguir o que ti fizeste? Não o quiseste fazer, eu sei, tal como eu também não quis ceder, mas cedi. E agora? Como será tudo a partir de agora? Se cedi não posso voltar atrás. Se tinha criado uma barreira que julgava intransponível e estava crente que tinha ultrapassado todas as minhas dificuldades e estava mesmo em fase de celebração por tê-lo conseguido, por me sentir livre, como poderia alguém chegar do nada e deitar abaixo o trabalho de mais de um ano? Como seria possível? O que teria feito mal? Que erro de planeamento não me teria ocorrido? Óbvio!!! O amor quando surge nunca é planeado. Apenas nos podemos proteger de um amor que já conhecemos, que sabemos já as formas como ataca e o modo como deve ser combatido. Mas se é um novo amor ou algo que para lá caminha não existe qualquer tipo de protecção! Foi assim que apareceste na minha vida, do nada. Não te amo, não! Seria extremamente utópico e infantil pensar nisso numa fase como esta, mas sou incapaz de negar que isso poderá vir a acontecer. Mas agora não! Estarei a ser precipitado, as coisas não são assim. Não é como um piscar de olhos ou um estalar de dedos.Porém, se tiver que acontecer limitarei-me a aceitar o que sinto. Não se controlam os sentimentos, nem tão pouco se deve negá-los. Que virá a seguir? Provavelmente nada! Nada acontecerá! E se tiver que acontecer não será agora, não nesta altura, não nestas circunstâncias, não na fase em que estás. Seria extremamente incorrecto pensar nisso numa altura como esta. Terei que deixar as coisas correrem, mas tenho que assistir de perto, sabendo que amanhã ao acordar poderei dar tudo o que fiz até hoje por perdido, mas se isso acontecer terei que perceber que tinha que ser assim, seria a única forma de me fazer perceber como as coisas são. Tudo faz parte de um processo gradual de amadurecimento. Feliz de quem possa dizer que já atingiu um nível aceitável e consiga já viver dominado pela razão e sujeito ao sentimento apenas em momentos cruciais e de pouco risco, risco de sofrimento, de angústia, desespero, tristeza, risco de infelicidade. Mas nós, comuns mortais que se apaixonam mais facilmente do que queremos fazer parecer, estaremos para sempre sujeitos a este tipo de situações. Nada que possamos fazer, dizer ou pensar o poderá alterar. Mais feliz não é aquele que consiga viver sem estes momentos, mas sim aquele que a eles se consiga adaptar da melhor forma.
Eu, neste caso, dou-me por contente por estar a reagir bem, apesar de um ou outro percalço que me tenha dificultado a reacção. E saber que tudo o que estou a passar agora se deve a um pequeno espaço de tempo, de apenas 10 horas, talvez até menos. Aquela informação que chegou atrasada, aquela informação que chegou cedo demais. Tudo isto poderia ser evitado... mas não foi e agora não há mais nada a fazer. Eu estou como estou a sentir o que sinto, tu estás como estás a sentir o que estiveres ou quiseres sentir e os outros... sim, os outros. Os outros estão sempre presentes. Onde quer que formos, seja contigo ou com qualquer outra pessoa os outros estarão sempre lá. Não há nada a fazer. Os outros saberão o que sabem, pensarão o que quiserem e farão os comentários que acharem mais correctos, mas nem de perto, nem de longe saberão o que é estar na situação em que estamos. Eles próprios poderão estar em situações semelhantes, mas para mim, os outros... os outros serão sempre os outros.

Vive com a situação, arranja maneira de a controlar, vive como se ela não existisse, mas nunca te esqueças que ela existe. Quem sabe se mais tarde, saberes que ela existe não te poderá vir a ajudar. Quem sabe? Quem o poderá negar? Ninguém. E cada vez que olho para ti ou para uma simples representação de ti faz-me pensar que tudo isto poderá vir a valer a pena. Resta-me apenas ser paciente, saber esperar, talvez a minha altura chegue e terei que estar preparado para essa altura, se alguma vez chegar. Agora não posso fazer dela objectivo. Seria mau para mim, mau para ti e, pior que tudo, pior que nós.

|

Dissertação sobre a Filosofia de Viver 

Num remoto bar em Espanha, perto de uma cidade chamada Olite, existe um cartaz escrito pelo seu dono:

“Justamente quando consegui encontrar todas as respostas, mudaram todas as perguntas”

Diz o mestre:
Estamos sempre muito ocupados em procurar as respostas; consideramos as respostas coisas importantes para compreender o sentido da vida.
É mais importante viver plenamente e deixar que o próprio tempo se encarregue de nos revelar os segredos da nossa existência. Se estamos ocupados demais em encontrar um sentido, não deixamos a Natureza actuar e tornamo-nos incapazes de ler os sinais de Deus.

in Maktub de Paulo Coelho


Que melhor de filosofia de vida que esta haverá? Poderemos descrever de melhor forma a maneira como devemos encarar a nossa vida? Tendo em conta a grandiosidade da Humanidade nós somos apenas míseras contribuições. Mas mesmo assim, temos que tornar a nossa contribuição o melhor possível. Mas como se poderá contribuir para isso? Viver cada momento da vida não como se fosse o último mas sim como se fosse o mais importante, para que, deste modo, de 24 em 24 horas nos podermos olhar ao espelho e afirmar que as 24 horas desse dia não foram horas passadas mas sim horas ganhas em que lhe conseguimos atribuir um significado especial. E nada há melhor do que chegar ao fim e recordarmos todos os momentos que passámos com grande felicidade. Outra filosofia presente neste mesmo livro é algo do género que se continuamos vivos é porque ainda não chegámos onde devíamos. De que nos vale tentar descobrir os mistérios da vida, se essa descoberta, no caso remoto de ser feita, não nos trará felicidade nenhuma. Metaforicamente falando, qual é o interesse de saber como um filme acaba antes de ele acabar? Não será muito mais interessante “viver” o filme e tentarmos inventar algumas hipóteses para no fim, vivermos esse “fim” com emoção? Como nós, muitos já tentaram chegar a essas conclusões mas não chegaram longe. O que nos fará pensar que seremos nós a consegui-lo? Viver tem muito de viver e pouco de pensar, sendo que no pensar não está incluído tentar arranjar soluções para problemas insolúveis. Do mesmo modo, se o soubéssemos, como iríamos reagir daí em diante? Será que continuaríamos a viver com a mesma espontaneidade e entusiasmo? As verdades são para se saber no momento certo e não prematuramente. Para quê rumar a nossa vida à descoberta de algo que não quer ser descoberto? Todo este tempo é perdido? Porque é que isto é assim?... Porque é que sou assim? ... Como serei se isto ou aquilo acontecer? ... Porquê? Porquê? Tudo perguntas às quais não vale a pena responder. Somos como somos e vivemos num Mundo que é como é. O amor é o amor, o sofrimento é o sofrimento, a dor é a dor e nada nem ninguém irá alterar esta combinação. As coisas são como são e o nosso papel não está em interpretá-las mas sim em vivê-las. Quem pode afirmar que nunca amou, que nunca sofreu, que nunca sentiu dor? Agora, qual é a utilidade de tentar descobrir o porquê de tudo isto? N-E-N-H-U-M-A! Normalmente, o pensar neste tipo de coisas é sinónimo de sofrimento e desespero.
Em poucas palavras, vivi até agora, sinto-me vivo e espero continuar a viver e, não tenho a menor dúvida que se houver realmente coisas que deva saber, elas serão do meu conhecimento na devida altura. E, de certeza que, nesse momento, não iremos pensar que o deveríamos saber há mais tempo. Aliás ficaremos muito gratos connosco mesmos porque não perdemos demasiado tempo em saber algo quando ainda não estava no momento de as saber.

|

Dissertação sobre a Felicidade 

Não sou nem nunca serei nada. Sou apenas mais um entre muitos que andam uma vida inteira à procura de algo, a lutar para encontrar sem saber bem o que procuram e, principalmente, sem saber que aquilo que procuram não pode ser encontrado. Vivemos uma vida feita de ilusões sobre isto e aquilo, tentando ser felizes, tentando encontrar alguém com quem possamos ser felizes mas nada...mesmo nada. É uma procura simplesmente desnecessária. Para quê continuar a procurar quando se sabe que o que procuramos não se pode encontrar nem tão pouco quer ser encontrado. Mas que terá tanta importância para que passemos grande parte das nossas vidas, senão todas para a encontrar? Bem material? Felicidade? Razão existencial? Tudo de tudo um pouco. E mesmo sabendo isto continuamos a procurar como se quiséssemos quebrar as leis da vida. Por muito que nos custe há coisas que simplesmente não existem para ser encontradas. Para quê procurar a felicidade se o importante é ser feliz? Pode parecer que tenham o mesmo significado mas quando bem analisado cedo se perceberá que são bem distintas. Quem vive viciado na procura da felicidade acaba por não lhe dar o valor que devia. Para ele, o mais importante não é a felicidade em si, mas sim à procura dessa. E, se encontrada não é estimada como deveria ser. Os outros, aqueles que não procuram a felicidade são muito mais felizes. A felicidade veio ao seu encontro, sem esforços, naturalmente. Tornam-se felizes por aquilo que fizeram e continuam a fazer e não por aquilo que começaram a fazer para se tornarem felizes como os anteriores. Quem consegue alcançar a felicidade sem “esforço” é, sem dúvida, mais feliz e essa felicidade é muito mais pura do que aquela que se alcança depois de um longo caminho à sua procura. Mas será que quem não é feliz deverá permanecer apático e não tentar encontrar a felicidade? Nada na vida cai do céu, por muito que isso custe a muita gente. O indivíduo deve procurar a felicidade, mas não seguindo um manual do género “10 mandamentos para ser feliz!”. A procura deve ser realizada de uma forma instintiva, por impulsos. Os nossos actos não deverão Ter em conta o facto de querermos ser felizes mas sim pelo próprio acto. E nada é melhor que alcançarmos a felicidade como resultado de actos “puros”, sem segundas intenções que realizámos.
|

Dissertação sobre a Essência Humana - Parte II 

Realização pessoal:
- Nível profissional
- Nível sentimental

Representação da vida humana

Como já vimos na Dissertação anterior, o Homem para alcançar os seus objectivos enfrenta inúmeros obstáculos: uns inultrapassáveis, outros muito difíceis de ultrapassar e outros, embora raros, facilmente ultrapassáveis. Já falámos destas dificuldades para atingir os objectivos, mas como nos podemos referir aos objectivos em si. Que tipo de objectivos são eles? Serão eles semelhantes em todas as alturas do nosso ciclo da vida? Na minha opinião, eles são sempre os mesmos, embora tenham a condicionante de terem diferentes intuitos de acordo com a fase de vida pela qual se está a passar. Dividiremos então a vida do Homem em quatro fases diferentes: A infância, a adolescência (sendo que aqui podemos integrar também os primeiros sete, oito anos da idade adulta de acordo com a evolução de cada indivíduo), a idade adulta e, por fim, a velhice. O que será mais importante para uma criança? O que será fundamental para o seu desenvolvimento? Primeiro que tudo, a família. É absolutamente necessário que a sua família consiga criar um ambiente propício para um desenvolvimento equilibrado. Em segundo lugar e, de certo modo complementares, temos a escola e os amigos. Desde cedo que a criança tem de aprender a lidar com conhecimentos que lhe serão úteis, como também tem a extrema necessidade de viver num mundo rodeado de crianças da sua idade, de modo a que possa criar com estas crianças o seu mundo próprio, um mundo desprovido de adultos em que se regem pelas suas regras e medidas, embora obviamente regidas pelo que está certo, o que está errado e o que se pode ou não fazer.
A fase da adolescência tem também um papel preponderante na criação de um indivíduo. É nesta fase que o Homem toma contacto com as primeiras dificuldades que irá enfrentar ao longo da sua vida. O Homem é aquilo que aprendeu e apreendeu na adolescência. É nesta fase que começam a aparecer em grande escala os dois principais objectivos do Homem – a realização profissional e a realização sentimental, sobre as quais falaremos mais tarde. De seguida temos a fase adulta, que tem o intuito de consolidar as duas realizações que já falámos. Se o Homem não tiver tido uma boa aprendizagem nas fases anteriores, muito dificilmente se conseguirá realizar nesta fase. Por último temos a fase da velhice, idosa. Esta é talvez a fase que menos se descobriu até hoje. Nesta fase, a importância da realização profissional e a sentimental não tem nem metade do que tinha nas fases anteriores. Então num português popular perguntamo-nos “Mas então o que é que eles andam aqui a fazer?”. Em relação a esta pergunta, surgem várias soluções adaptadas à cultura moral e religiosa de quem as apresenta. Uns dirão que estão numa fase de aprendizagem para enfrentar a morte, outros dirão que eles é que possuem a sabedoria devido ao seu largo de período de vivência, outros ainda dirão que estão ainda nesta vida para alcançar um último objectivo que não conseguiram alcançar durante o período que viveram. Muitos deles, idosos, enfrentam séries dificuldades no mundo de hoje, principalmente devido à mudança de mentalidade da sociedade. Uns são abandonados, outros enviados para lares. Para eles, que já não têm grandes feitos para realizar, o único objectivo é sentirem-se bem na sociedade em que vivem. Então qual é a surpresa de, por vezes, quando nos encontram na rua desejarem-nos um Bom dia, Boa tarde ou uma Boa noite? Talvez, nesta fase, a maior alegria para eles será receberem esses desejos de volta em vez da indiferença que cada vez mais reina na sociedade em que vivemos. Será assim tão difícil? Todos nós temos os nossos dias maus, ou melhor, dias menos bons, mas nada nos impede de reagirmos com simpatia a um acto de simpatia. Visto isto, como poderemos representar o ciclo da vida? Será mais feliz aquele que represente a vida com a recta mais comprida, indicando assim que teve uma vida longa? Julgo que não, porque tal como diz o ditado “Quantidade não significa Qualidade”. Na minha opinião a melhor representação da vida é a circunferência, sendo que quanto mais redonda e perfeita ela for mais feliz é a vida do Homem. Assim, o Homem morrerá quando os dois extremos de uma suposta recta se tocarem, formando então assim a circunferência.

Já falámos aqui na realização profissional e na realização sentimental. Alguma delas será mais importante que a outra? Serão elas complementares? Terão elas o mesmo grau de dificuldade para a alcançarmos? Cada indivíduo terá a sua opinião. Uns dirão que a profissão é o mais importante da vida, outros dirão que têm ambas a mesma importância, outros ainda dirão que é a sentimental a mais importante. Agora se pensarmos qual das duas dá mais que falar não existirão dúvidas de que será a sentimental.
A realização profissional está apenas dependente do indivíduo em questão, do seu esforço e da aptidão para desempenhar a tarefa a que se propõem, sendo que a tarefa está apenas dificultada pela carestia de oportunidades. Como é óbvio, por mais qualidades que um indivíduo tenha está sempre condicionado pelas oportunidades que lhe dão. Sem oportunidades não poderá demonstrar tudo aquilo que vale.
Passemos então à realização sentimental que é por muitos considerado um autêntico “bicho de sete cabeças”. Qual a sua importância para o desenrolar da vida do indivíduo? O indivíduo que tem um grande equilíbrio, uma realização sentimental, terá consequentemente um maior equilíbrio psicológico para enfrentar outras dificuldades, enquanto que aquele que não consegue proporcionar um equilíbrio ao seu estado emocional poderá estar seriamente condicionado no desempenhar das tarefas que lhe são atribuídas. Assim, a realização sentimental pode não ser mais importante que a profissional, mas funciona como uma grande ajuda para a satisfação da outra. Como se adquire esta realização sentimental? Resumir-se-á tudo ao que já falámos anteriormente? Passaremos pelo mesmo ciclo? Pelos mesmos obstáculos? Pelas mesmas sensações? Pelos mesmo objectivos?
Tal como tudo na vida, também esta realização é difícil de conseguir, sendo que é até considerada a mais difícil de conseguir. Digamos que para atingir esses objectivos vive-se uma vida dentro da própria vida. Quais serão os princípios pelos quais nos deveremos reger? Se não estivermos a ser bem sucedidos nesses objectivos o que deveremos fazer? Pegando num exemplo de um conhecido meu a propósito de um objectivo comum a muitos portugueses que se pode comparar a muitas reacções em relação ao insucesso sentimental, usada principalmente pelos cristãos. A frase foi a seguinte “Deus! Se realmente existes, mostra-te agora e ajuda-nos!”. Este pedido deriva na ajuda de Deus de modo a que Portugal marcasse um golo. Este desejo tem apenas uma resposta: Se Deus realmente existir, algo sobre o qual não quero comentar, e ajudasse os portugueses, todos nós Lhe ficaríamos agradecidos por ter atendido às nossas preces. Mas como se sentiriam todos os outros cristãos que tivessem desejado, tivessem pedido para que Portugal não marcasse. Para agradar a uns, teria que desagradar a outros, e voltaríamos à mesma conversa de sempre. No campo emocional passa-se exactamente a mesma coisa. Quando os nossos objectivos não têm sucesso, alguns de nós efectuam preces semelhantes. Mas esquecemo-nos por completo que para as nossas preces serem atendidas as dos outros, e em especial, da pessoa que está directamente relacionada com o nosso insucesso estariam a ser desprezadas. Largando o campo religioso, que tipo de análise poderemos fazer? Nada vem de graça, tudo é difícil de alcançar e, de facto, as coisas que são mais difíceis são aquelas que nos dão maior prazer de alcançar. Para não me estar a repetir, voltando então a enunciar todo o ciclo pelo qual passamos de modo a alcançar determinados objectivos, sugiro aqui alguns conselhos de modo a melhor enfrentar as dificuldades que nos são apresentadas. Primeiro que tudo, nunca deveremos desistir mesmo que esse objectivo nos pareça completamente inatingível. Há que lutar para, pelo menos, podermos dizer que, ao menos, tivemos a coragem de tentar realizá-lo. Mas atenção! Nunca desistir não significa manter sempre o mesmo objectivo aconteça o que acontecer. Tal como tudo na vida, os objectivos podem-se também modificar, mas enquanto eles permanecerem não nos podemos dar por vencidos. E nunca nos podemos esquecer que se todos os nossos objectivos fossem fáceis de alcançar o gosto não seria tão bom como o gosto que temos quando alcançamos um objectivo que nos levou muito tempo e esforço, mas, que ao menos, o conseguimos atingir. E atingindo esta realização sentimental é como se nos tivéssemos mudado para um novo mundo. Por tudo isto, vale mesmo a pena lutar pelos objectivos aos quais nos propusemos. Enfim, por último conseguimos alcançar a tão almejada felicidade!

|

Dissertação sobre a Essência Humana - Parte I 

No geral – Obstáculos à felicidade

És sempre o mesmo, cais sempre nas mesmas armadilhas.
De certa forma, o realismo existe dentro de ti mas na maioria das vezes, quando ocupado pelos sentimentos é ofuscado pelo desejo e pela esperança de que tudo te corra bem. Nesta altura, decides arriscar. Não aguentas mais o tempo de espera, alguma coisa terá que mudar. O teu espiritualismo entra em acção: uma pequena parte diz-te que vale a pena arriscar, que os teus desejos serão atendidos. No entanto, existe outra parte que não tem dúvidas de que os desejos não passam disso – desejos. E por mais que desejes não irás alterar o rumo pré-destinado ou não dos acontecimentos.
É então que arriscas. A tua alma é invadida por sensações variadas, alternando-se sempre uma à outra, normalmente seguindo a sequência negativo-positivo-negativo, ou seja, ponderas bem se haverás de arriscar, arriscas e tens a noção de que deitaste tudo a perder e cais em profunda desilusão. No entanto, uma série de acontecimentos faz-te acreditar que a felicidade anda por aí e que apenas te resta fazer um último esforço para a encontrar. E então esforças-te, esforças-te, pensas que estás a fazer progressos mas subitamente começam a surgir novos obstáculos. A tua primeira reacção é positiva, pensas que os poderás ultrapassar se te esforçares mais um pouco. E então esforças-te mais um pouco e vês que todo o teu esforço caiu no ridículo, foi em vão. É aqui que surge a Segunda e última fase do negativismo. Todas as tuas esperanças se perderam e sabes que faças o que fizeres muito dificilmente as poderás recuperar. Começas-te então a questionar as razões do teu insucesso. Não te terás esforçado o suficiente? Não estava destinado a acontecer ou simplesmente não poderia acontecer? E, nesta fase, tu, que não passas de uma criança tal como todas as crianças que te rodeiam cais do mundo da brincadeira, dos joguinhos de criança para o mundo real. O teu sentimento individualista – antropocentrista perde toda a sua razão de ser. Finalmente percebes que o mundo tal como ele existe não existe para ti, para te satisfazer as necessidades com maior ou menor custo. Percebes que apesar de veres o mundo sempre com os teus olhos e reflectires e agires sobre ele sempre com o teu pensamento existem mais centenas e centenas de milhões que pensam do mesmo modo. E aí percebes que não chegaria um mundo perfeito para que os objectivos e os desejos de todos se concretizassem. Seria então necessário um mundo com inúmeras fases paralelas de modo a que os objectivos contrapostos de dois indivíduos diferentes se pudessem concretizar. É aqui que a tua cabeça começa a interrogar-se qual o teu verdadeiro papel nesta sociedade, neste mundo. Percebes então que não passas de um mínimo grão de areia no maior deserto que tenta chegar ao mais pequeno lago de todos. E apercebes-te que seria completamente surrealista que todos os grãos de areia do deserto, como tu, chegassem sequer a serem tocados pela brisa que provém desse mínimo lago. Surge então outra interrogação. O que é que esses outros grãos de areia que conseguiram chegar ao lago têm a mais do que tu? O que é que eles fizeram bem ou melhor que tu não tenhas conseguido fazer? Obviamente, não consegues chegar a respostas concretas sobre esta questão porque existem infinitos factores a ponderar e aparece-te então a resposta que surge a quase todos – tive azar, fica para a próxima. Mas tenho a certeza que aprendi com os erros e que da próxima vez farei tudo da melhor forma para evitar voltar a cair nos mesmos erros, nas mesmas situações para que seja mesmo dessa vez que os teus desejos sejam concretizados. No momento em que nós, crianças, apreendemos isto somos reinseridos, como por magia, no mundo das ilusões e dos sonhos. O pequeno factor que não estavas à espera é que cais neste mundo com um espírito novo e que tudo o que conseguiste apreender no mundo real se perdeu e não te recordas absolutamente de nada. E então, inicias uma vida completamente nova, na maior parte das vezes com os mesmos intérpretes ou “convidados surpresa” que não vêm mais do que substituir os “actores” que tinham participado no teu anterior “filme” e, que desta vez não fazem parte dele ou porque tu os “despediste” ou porque eles foram convidados para “realizar” outro “filme”. Começas então a construir uma nova vida, um novo filme. Lembras-te muito, muito vagamente das dificuldades da vida, mas mais uma vez julgas que as poderás ultrapassar com maior ou menor esforço. Voltas então a cair exactamente no mesmo enredo, exactamente nas mesmas situações e, apesar de não reparares a tua vida não passa de um círculo vicioso que é composto por vários capítulos, uns maiores que os outros, e que o seu fim é na maior parte das vezes trágico. E voltas a cair na realidade. No entanto, e apesar de nunca o ter experienciado acredito que este círculo se continuará a seguir até que os teus objectivos sejam alcançados. E neste “alcance” podemos encontrar quatro tipos de indivíduos: aqueles que alcançam à primeira, aqueles que alcançam depois de inúmeras tentativas falhadas. Aqueles que vão progressivamente baixando a fasquia dos seus objectivos para facilitar o alcance e os mais infelizes que morrem definitivamente sem nunca terem alcançado o que mais desejavam. O único senão é que muito raramente o indivíduo se apercebe desta situação, sendo que na maior parte das vezes só toma contacto com esta realidade depois de morrer, numa altura em que encontra também as respostas a todas as suas perguntas.

E tu? Em que tipo é que te inseres? Já conseguiste alcançar o que mais desejas? Já caíste muitas vezes? Já te conseguiste aperceber desta realidade? Ou será que só a partir deste momento é que te vais começar a interrogar e a dar cabo da tua cabeça?

Seja qual for o resultado sabes que o desejo mais comum aos comuns mortais é a felicidade! Já a alcançaste? Pensa bem!!!

|

Sunday, May 02, 2004

Tudo parece confuso no meio deste mundo de confusões a atritos. Ficar no meu cantinho, não incomodar e não ser incomodado. Tudo isto não passa de uma utopia. Qualquer decisão que tomemos irá afectar de uma maneira ou de outra alguém, já para não falar do principal afectado, eu próprio. Assim, o que nos distingue é a capacidade de discernir perante situações opostas, complicadas e que sabemos de antemão que uma se sobreporá à outra. Uma encruzilhada....uma decisão....um rumo a tomar....um caminho....sem volta atrás! É impossível voltar atrás assim que a decisão estiver tomada e seja concretizada. Mas como custa tomar essa decisão....sim...como custa! Custa tanto. Como disse antes "Porque manter algo construído é mais importante do que lutar algo que provavelmente nunca acontecerá". E esta é toda a base da minha decisão. O mundo continua, a vida continua, os filmes sucedem-se e com esta sucessão também os "actores" vão entrando e saindo da nossa vida.
Reflexão! Sim, Reflexão! Palavra nobre! Em momentos como estes é primordial reflectir... pensar no que se ganhou... pensar no que se perdeu... confirmar que a decisão foi a melhor. Ainda que saibamos que no futuro nos possamos vir a arrepender desta decisão. Há que validar a decisão, tomá-la como a melhor decisão possível. Fazer o máximo para conseguir equilibrar as bolas no ar. Não, não posso deixar cair uma. Se uma cair será o princípio do fim. Todas cairão por consequência e aí a queda abismal será total. Será preciso reconstruir tudo de novo. Moldar aquela base...aqueles degraus que nos custaram tanto a segurar para que as relações de confiança e estabilidade fossem em si mesmas "estáveis". Fosse de que maneira fosse degraus acabariam por ruir, trabalho árduo seria deitado abaixo. Sei que perdi alguns degraus, mas mantenho-me a um nível equilibrado. Espero conseguir continuar assim. Seria bom sinal!
Ah, mas porque é que algumas coisas na vida não podem ser especificamente racionais? Porque temos de nos debater com a emoção, com o afecto? Não seria sempre mais fácil obter as respostas mais racionais e seguir pela encruzilhada do destino? Não, não seria! Mas assim é complicado! Muito complicado! Impulsos, estímulos, emoções! Vive bem quem os consegue libertar com segurança. Caso contrário poderá cair em demasiados erros, demasiados riscos! A queda será demasiado grande. O embate será forte e as energias para uma reconstrução serão cada vez menos. Por tudo isto espero ter tomado a melhor decisão. Sim, espero! Por outro lado não! Não sei! Neste momento ninguém sabe!

Ouvindo: - Sigur Rös
|
Porque manter algo que já se construiu é muito mais importante do que lutar por algo que provavelmente nunca chegará a dar nada.
|

Friday, April 30, 2004

A solidão! A solidão estampada no rosto de algumas pessoas que vejo na rua. Solidão acompanhada de angústia e desalento. Pessoas que perderam alguma coisa, que pouca esperança têm. Que começaram há muito a fase descendente da vida. É triste reparar em pessoas assim. Pessoas que com o seu olhar profundo nos dizem tudo. O Olhar carregado, vermelho...um olhar abandonado de quem já teve algo e o perdeu. De quem nunca ganhou nada e continua a lutar, cada vez com menos forças, para o alcançar. Pessoas que sem companhia procuram em animais o consolo, o calor que há muito já perderam. Ontem uma situação destas marcava o jardim da Gulbenkian. Sentado num banco de pedra, um velho cabisbaixo mantinha-se compenetrado com mais de trinta pombos atraídos pelas migalhas de pão que havia atirado ao chão momentos antes. E ali ficou o velho...rodeado de pombos, pensando na vida... ou talvez não...
|

Tuesday, April 13, 2004

Morte... morrer... estar morto! Não espero morrer nos próximos tempos. Aliás, penso até que neste momento estou mais longe da morte do que já estive. Nunca lá passei perto, não sei a morada, mas sinto que cheguei a estar próximo do seu bairro. Morrer... talvez o maior medo do ser humano. O que está para além da morte? Como será? É triste quando alguém conhecido morre, mas como será quando nós próprios morrermos? Como reagirão os outros? Que imagem recordarão de nós? Morte... ao mesmo tempo tão longe e mesmo aqui ao lado. Quem sabe amanhã... na próxima semana... ano... década... nunca! Porque não? Não tenciono ser mórbido com este post. Na verdade, o que quero vincar aqui é o próprio momento da morte. Estou certo que quando morrer gostaria de ter apenas mais um dia de vida para falar com todas as pessoas que conheço e contar-lhes toda a verdade. A boa de ouvir e...a nem por isso. Sinto que haverá tanta coisa por falar, tanta página para encher de tinta... tanta vida para colorir. O que mais nos afligirá será sem dúvida... será que os outros ficaram com a imagem certa de mim? Será que sabem o que pensava, o que gostava de dizer, de fazer... a forma como gostaria que as coisas fossem. Mas isso nunca irá acontecer. É imprevisível como o rumo de uma gotícula de água ao cair numa folha. Simplesmente não se sabe, mas gostava de saber mesmo assim. Assegurar que as pessoas tivessem a noção da realidade... da minha realidade... fosse ela boa ou má...seria sempre a minha realidade. E isso nunca ninguém me tirará. A minha realidade! Morte...Morrer...estar morto! Para quê perder tempo com isso agora? Porque não procurar o antídoto para que quando tiver que acontecer este meu desejo esteja o mais realizado possível. Na minha realidade!! A minha! Transmitir o máximo possível às pessoas do que ela é e não do que parece ser. Não que lhes queira dizer como é, apenas mostrar-lhes o caminho da realidade (da minha realidade!!), um caminho seguro, coerente, constante para que cada um possa fazer uma interpretação.... A sua interpretação...da MINHA realidade. Para que no futuro não passe de mais um invólucro de onde a realidade sumiu.


|

Monday, April 12, 2004

A partir daqui nada mais será o mesmo. Um dia 11 que passou, um dia que para o mundo poucas novidades trouxe, mas que para mim poderá ter sido o despoletar do fracasso, do precipício, do abismo. Aquele local no qual já me enfiei tantas vezes e que tanto me custou a sair. Estou a arriscar em demasia. Posso sair bem disto, mas é demasiado arriscado. Os últimos dias alertaram-me para os enormes riscos que estou a correr. Mais tarde ou mais cedo, se falhar, posso recuperar o meu estado de espírito, mas há coisas que se perderão para sempre. Relacionamentos, confiança... bases de apoio e conversa. Espero resolver isto o mais rápido possível. Porque não deixar adormecer para o acordar mais tarde.
E aqui está. A decisão está tomada. Se nos próximos dias as coisas se mantiverem como estão vou deixar tudo isto entrar em estado de hibernação, como se fosse possível controlá-lo.
Para quando voltar a acordá-lo? Tirá-lo debaixo do colchão e mostrar-lhe a luz do dia? Quem sabe já no Verão? Não estou apaixonado, tenho medo é de te vir a amar. Mais isso do que estar apaixonado. Se ao menos soubesse o que sentias....
|
A voz! Algo tão importante como a voz. Não há vozes iguais... ainda hoje guardo grandes recordações de vozes, de amigos..amigas... familiares, momentos especiais. Os vários tons de voz... a ternura, o medo, a angústia, a felicidade, o amor. Nada melhor que ouvir uma voz apaixonada chamando por nós. A vida ganha uma claridade, um brilho que nos enche de bem-estar e amor pela vida. Como é bom ouvir a tua voz em dias de chuva... ouvir a tua voz ao telefone quando estou em baixo... simplesmente ouvir a tua voz. Saber que de uma maneira ou outra estás perto de mim. Sentir-te próxima, sentir-te junto de mim, ou pelo menos para mim... que voz, a tua voz!
|

Sunday, April 11, 2004

Tenho em ti a minha secreta esperança de criar um bom futuro para a minha vida. Uma vida saudável, estável, confiante e risonha, sobretudo risonha.
Sei que é apenas uma escondida esperança que não passa disso. E se queres que te diga não sei bem o que quero primeiro. Perder a esperança ou... perder todo o secretismo.
Porém, neste momento não posso de maneira alguma perder este ambiente. Espero que o consigas perceber e aceitar.

|

Monday, March 29, 2004

O Sonho...o delírio... o pesadelo provocado pela mais alta das febres. A febre traz-nos viagens ao mundo do animalesco, a uma nova aventura. Constrói-nos o inconsciente em papel de dobrar e molda-nos o pensamento como se de gelatina se tratasse.
Ali, naquele momento... todos os nossos receios, os nossos medos, mesmo que inconscientes estão ali representados no nosso sonho de uma maneira tão real, tão objectiva que chega a doer. A morte, o sofrimento, a impotência... nada mais interessa. Acordar? Para quê? Para dar ainda mais realidade ao supostamente vivido?
Acordar? Só para voltar a adormecer!
|
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Aparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo".
|

This page is powered by Blogger. Isn't yours?